quinta-feira, 27 de novembro de 2014

MORANDO EM DEUS, SALMO 90


Introdução


O salmo 90 é o único atribuído a Moisés, sendo assim o mais antigo do saltério. Escrito talvez no contexto da sentença de morte no deserto de Deus contra uma geração desobediente e incrédula (Nm 13-14). O estilo textual é expresso pelo seu titulo “Oração de Moisés”. Juntamente com outros cânticos (Dt 31-32), essa oração seria usada pelo povo para: I – consolar o povo peregrino com a lembrança de que Deus é eterno, II – lembrar a comunidade que temos que nos humilhar sempre diante do ETERNO, III – lembrar que somos pecadores culpados diante de um Deus Santo, IV – incentivar o povo a orar sempre pedindo pela graça de Deus e, a verdade central do salmo, V – as promessas de Deus é a habitação segura diante dessa vida passageira e sofrida.

Esboço


1.       Deus é Eterno (v. 1-2)
2.       O homem é sujeito à maldição e é temporal (v. 3-11)
a.       A vida temporal do homem (v. 3-6)
b.      Morremos por causa da ira de Deus (v. 7-11)
3.       Apelo pela misericórdia de Deus
a.       Sabedoria (v. 12)
b.      Compaixão (v. 13)
c.       Alegria (v. 14 – 15)
                                                               i.      Para louvar a Deus
                                                             ii.      Por que nossa vida é curta demais para sofrermos sempre
d.      Ver Deus agir (v. 16)
e.      Pela graça, fazer com que nosso trabalho se consolide (v. 17).

Cristo no salmo 90


A auto-revelação de Deus no monte Sinai foi tenebrosa. Com som de trombetas, relâmpagos, trovões, fumaça, a “shequinah”, que eram densas trevas que Deus se manifestava no Antigo Testamento (1Re 8:12). Deus se revelou em trevas e não em luz. A impressão é que, de propósito, Ele aparece de forma a expelir o povo da sua presença, mas se mostra a Moisés de forma mais pessoal e íntima.
O Senhor disse a Moisés (...) estabeleça limites em torno do monte e diga ao povo: Tenham o cuidado de não subir ao monte e de não tocar na sua base. Quem tocar no monte certamente será morto; (Ex 19:12)
Moisés cumpre um tipo de Cristo que intercede por um povo desobediente. Revela o Deus transcendente que não se relaciona com pecadores, mais que oferece a oferta santa para a remissão dos pecados, o Seu Unigênito Filho na cruz. Moisés mostra tanto a santidade de Deus, como Sua graça. Revela Seu propósito para o ser-humano, ser separado do mal assim como Deus é.
 O único que é imortal e habita em luz (TREVAS) inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver. A ele sejam honra e poder para sempre. Amém. (1 Tim 6:16)
Deus está numa santidade muito distante de nós, e não podemos entender o que ele fala.  A sua voz nos soa como um som de grande trombeta (Ex 20:18). Quem sai de dentro dessas trevas/luz inacessível é Jesus Cristo. E nos fala com voz humana (Bíblia) qual o mistério da sua vontade “(...) um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus. (1Tim 2:5)”
A mesma coisa que Moises fez quando o povo temeu diante do Sinai. O povo ficou de longe em pé, Moisés, porém, se chegou à nuvem escura onde estava Deus (Ex 20:18-21).
Um Deus que se manifesta em trevas e depois chama pecadores para se relacionar pode parecer estranho à primeira vista, mas quando a revelação de Deus vai ficando mais clara ao longo da historia bíblica se percebe que Ele queria com esse espetáculo no Sinai era realmente inibir o povo com sua rigorosa lei que exige a perfeição humana. Em contraste com a revelação perfeita e final em Jesus Cristo, que chama pecadores ao arrependimento e a um relacionamento íntimo e pessoal com Deus, através da Sua mediação. Sinai e Sião são dois montes que Deus se mostrou, uma inibindo o povo com sua santidade, outra santificando o povo através do sangue do cordeiro.
Vocês não chegaram ao monte que se podia tocar, e que estava chamas, nem às trevas, à escuridão e à tempestade, ao soar da trombeta e ao som de palavras tais, que os ouvintes rogaram que nada mais lhes fosse dito; pois não podiam suportar o que lhes estava sendo ordenado: "Até um animal, se tocar no monte, deve ser apedrejado". O espetáculo era tão terrível que até Moisés disse: "Estou apavorado e trêmulo!” Mas vocês chegaram ao monte Sião, à Jerusalém celestial, à cidade do Deus vivo. Chegaram aos milhares de milhares de anjos em alegre reunião, à igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus. Vocês chegaram a Deus, juiz de todos os homens, aos espíritos dos justos aperfeiçoados, a Jesus, mediador de uma nova aliança, e ao sangue aspergido, que fala melhor do que o sangue de Abel. (Heb 12:18-24)



1.    Deus refúgio nosso (v. 1,2)


A oração começa com o vocativoSenhor, a quem Moisés se dirige o salmo inteiro. Seguido de “Tu és o nosso refúgio”, essa frase expõe o proposito do salmo, mostrar que com a fragilidade temporal, pecaminosa e depressiva do homem, o único lugar para se sentir acolhido é no próprio Deus. Confiar nas promessas de Deus é morar Nele.
Nós não fomos criados para ser peregrino. A busca do homem é pela estabilidade financeira, emocional, psicológica etc. A promessa de Deus ao povo é de um lugar onde seriam estáveis, onde estariam em segurança nacional, onde eles seriam o povo de Deus. Nessa perspectiva Israel ainda aguardava o descanso prometido. A vida de peregrinação parece uma obra sem fim, de montar e desmontar acampamento, movendo as suas famílias de um lado para o outro, até chegar a tão esperada moradia eterna, teriam que andar pelo deserto até chegar lá.
Não era para ser uma caminhada longa, mas devido à incredulidade do povo, Deus condenou toda aquela geração a morrer no pó do deserto de Seir (Nm 13-14).
Nós buscamos um porto seguro para nos firmar. A “(...) ancora das nossas almas (Heb 6:19)” está na palavra de Deus, nas “(...)maravilhosas promessas de Deus (2 Pe 1:4)”. Viver feliz neste mundo corrompido só é possível se crermos e esperarmos nas Suas promessas. Habitar em Deus é descansar seguro e confortável na esperança proposta por Ele.
“Geração em geração”, é o tempo em que Deus abriga o seu povo. Neste salmo o contraste de Deus com o homem é o tempo. Todos os seres humanos morrem e uma nova geração nasce, e essas novas pessoas também precisam conhecer a Deus, de se relacionar. Deus se revela, se deixa conhecer, e isso é maravilhoso! Cada pessoa que existiu, de todos os tempos, teve que um dia se decidir andar ou não com o Eterno, que já estava lá quando nós nascemos, “(...) antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo Tu és Deus (v. 2)”.
Em números 35:6-34 Deus regulamenta uma lei sobre as cidades refúgio dos levitas. Que era para acolher possíveis homicidas culposos, ou seja, sem intenção de matar. E agora que o povo de Israel estava condenado a morrer no deserto árido. A conclusão de Moisés no salmo 90 é que a fuga do povo culpado está no próprio Deus. Buscar o perdão em Deus sempre foi o Seu desejo e oferta, desde Adão até qualquer pecador hoje. A verdade é que diante da maldição da morte, que inclusive foi o próprio Deus quem sentenciou, não temos outra esperança de salvação e redenção a não ser no próprio Deus.

2.    Eterno (v. 2)


Entender o tempo por completo é tarefa impossível para a mente humana. Por mais que tentamos ao menos calcular ou medir este fenômeno do tempo nunca vamos conseguimos entender o conceito pleno de eternidade, passado, presente e futuro. Mas uma coisa é certa para Moisés: Deus é eterno. Olhando para traz na linha do tempo, perdemos de vista a contagem do nascimento dos montes, da origem das fontes e da terra, Deus, porém, continua eternidade a fora. E se olharmos para o infinito futuro, também Deus está além dele.
Qualquer atributo que se calcule entre a criatura e o Criador, veremos números reais contra uma variável imensurável. Se fosse a inteligência de Deus comparada com a do homem, por mais cientista que seja a mente humana ela ainda é exata. Agora, quem conheceu a mente do SENHOR? (1Co 2) Ou quem pode nos contar o que se passa nas profundezas do ser de Deus? Do que ele gosta, o que O motiva a fazer o que Ele faz ou o que realmente sente quando pecamos? Graças a Deus por Jesus Cristo nosso SENHOR, que “(...) derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento (...) e nos revelou o mistério da sua vontade” (Ef 1:8-9). Toda a revelação do ser e obra de Deus provém de Jesus Cristo. Ele vem de dentro da luz inacessível. Porque é a imagem do Deus invisível (Cl 1:15).

3.    Homem sujeito a morte (v. 3-11)


Em contraste com a eternidade de Deus está a fragilidade do homem. Moisés usa quatro ilustrações para mostrar o quanto somos frágeis. Cada exemplo com sua característica, mas todos com um ponto em comum, a morte.

1.       Como as horas da noite – breve; a vida humana em relação ao mundo é muito pequena.
2.       Como uma correnteza – forte; Deus aniquila com a vida humana.
3.       Como um sono – imperceptível; quando se vê já acabou.
4.       Como a erva do campo – rápido; as fases da vida inteira se passam rapidamente.

A morte é um juízo de Deus quando o homem pecou no Éden “Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: ‘Retornem ao pó, seres humanos’! (v. 3)”.
A razão de Deus se mostrar tão irado é exposta nos versos 7 a 11, os nossos pecados. Nós não temos a real noção do quanto Deus odeia a iniquidade. Algumas vezes para comunicar esse sentimento Deus exemplificou na vida dos seus profetas. Oseias se casando com uma prostituta. Deus matou a mulher de Ezequiel. Mas nada se compara com o sacrifício do seu próprio filho Jesus. Deus mostra o seu completo desprezo pelo pecado quando propõe uma oferta tão escandalosa. Ele é o Todo Poderoso, se quisesse perdoar os pecados apenas com uma palavra de ordem, Ele certamente o faria. Mas o proposito da cruz é mais profundo. Mostrar quão grande a ira de Deus contra pecadores (v. 11). Revelar quão grande é o amor de Deus pela sua criatura rebelde que mesmo merecendo a punição do pecado, Ele ainda propõe uma alternativa de remissão.
Com os nossos pecados diante da face de Deus, a Sua ira se acende como uma fornalha ardente e nós vamos derretendo no calor do deserto consumidor sem Deus. E o que nos resta diante desta manifestação da ira de Deus, a sentença de morte, é simplesmente esperar morrer “(...) são anos difíceis e cheios de sofrimento (v. 10)”.
O tanto que temos que temer a Deus é o mesmo tamanho da sua ira. Se não conhecermos a ira de Deus não o temeremos, e se não temermos, perdemos de vista quem Deus é e quem somos nós (v. 11).
Como viver diante dessa triste sentença? Como nos relacionar com um Deus tão justo e santo? Qual o pedido de Moisés se fosse orar a Deus diante desse quadro: Deus é eterno, santo e justo e o ser-humano é temporal, pecador e culpado?

4.    Os pedidos que Moisés faria (v. 12-17)


1.      Sabedoria (v. 12)


Lembrar sempre que somos mortais nos faz mais humildes e sábios. Quanto mais entender que estamos morrendo e não vivendo, mais vemos que temos que viver cada dia como se fosse o último, isso não nos faz “extravasar geral”, mas ser mais responsáveis com nossas atitudes, porque hoje ainda podemos nos encontrar com o nosso Senhor!

2.      Compaixão (v. 13)


Não existe outro pedido mais importante do que a da misericórdia de Deus. Se nos fossemos confiar na justiça de Deus, receberíamos a justa condenação. Misericórdia é um atributo que sobressaiu sobre a justiça. Graças a Deus por enviar Seu Filho Unigênito para saciar a nossa sede de vida! Ele é a manifestação suprema da misericórdia de Deus. Esse pedido de Moisés se cumpre quando Deus nos dá o pão da vida eterna (v. 14 – 15).

3.      Alegria (v. 14)


O que tem em comum entre a alegria e a tristeza é que esses dois sentimentos são causados por ter tido um encontro pessoal com Deus. O Espirito de Deus nos mostra o quanto somos culpáveis diante do Santo Deus, e nos ficamos tristes por isso. Muito triste ao ponto de realmente gritar e se afastar da presença gloriosa de Deus. Mas logo em seguida quando somos justificados pelo sangue de Cristo, e nos achegamos a Deus, temos uma alegria indizível no Senhor. Essa montanha russa de tristeza a alegria produzido por Deus, é legitima e temos que implorar a Ele por isso.

a.      Para louvar a Deus


O proposito da alegria é para glorificar os feitos do nosso Deus. Não uma alegria vã, produzida por qualquer entorpecente. Mas o real entendimento de que Deus é Santo e misericordioso, produz a verdadeira alegria independente das circunstancias temporais.

4.      Ver Deus agir (v. 16)


Moisés pede para que conheçamos a historia de Deus. Quem Ele é e o que Ele fez. Tudo isso esta revelado nas Escrituras. Não tem como produzir verdadeiro louvor, gratidão e adoração se não conhecermos o verdadeiro amor de Deus.

5.      Pela graça, fazer com que nosso trabalho se consolide (v. 17).


Estabilidade é o que Moises começa dizendo: Deus é o nosso refugio, e termina pedindo para que chegue essa estabilidade que buscamos. As preciosas promessas de Deus devem se cumprir logo em nossas vidas. A esperança deve nos motivar como lenha na fogueira. As nossas obras que enquanto fazemos nessa vida temos certeza que nada vai durar, porque tudo é vaidade. Mas Deus tem feito quantas coisas através de homens e mulheres que se dispõem a ser usados por Ele. O trabalho cristão deve ser feito com diligencia para que tudo quanto fizermos seja deixado para a eternidade. Tudo isso confiando na graça e misericórdia de Deus.



Oração de Moisés, o homem de Deus.


1.       Deus Eterno


 1 Senhor, tu és o nosso refúgio, sempre, de geração em geração.
 2 Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus.

2.       Homem passageiro


a.       A vida temporal do homem

3 Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: "Retornem ao pó, seres humanos! "
 4 De fato, mil anos para ti 1 - são como o dia de ontem que passou, como as horas da noite.
 5 2 - Como uma correnteza, tu arrastas os homens; 3 - são breves como o sono; 4 - são como a relva que brota ao amanhecer;
 6 germina e brota pela manhã, mas, à tarde, murcha e seca.

b.      Morremos por causa da ira de Deus

 7 Somos consumidos pela tua ira e aterrorizados pelo teu furor.
 8 Conheces as nossas iniquidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença.
 9 Todos os nossos dias passam debaixo do teu furor; vão-se como um murmúrio.
 10 Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos!
 11 Quem conhece o poder da tua ira? Pois o teu furor é tão grande como o temor que te é devido.

3.       Pedido pela graça de Deus


 12 Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.
 13 Volta-te, Senhor! Até quando será assim? Tem compaixão dos teus servos!
 14 Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes.
 15 Dá-nos alegria pelo tempo que nos afligiste, pelos anos em que tanto sofremos.
 16 Sejam manifestos os teus feitos aos teus servos, e aos filhos deles o teu esplendor!
 17 Esteja sobre nós a bondade do nosso Deus Soberano. Consolida, para nós, a obra de nossas mãos; consolida a obra de nossas mãos!


CALEU FERNANDES

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