quinta-feira, 27 de novembro de 2014

MORANDO EM DEUS, SALMO 90


Introdução


O salmo 90 é o único atribuído a Moisés, sendo assim o mais antigo do saltério. Escrito talvez no contexto da sentença de morte no deserto de Deus contra uma geração desobediente e incrédula (Nm 13-14). O estilo textual é expresso pelo seu titulo “Oração de Moisés”. Juntamente com outros cânticos (Dt 31-32), essa oração seria usada pelo povo para: I – consolar o povo peregrino com a lembrança de que Deus é eterno, II – lembrar a comunidade que temos que nos humilhar sempre diante do ETERNO, III – lembrar que somos pecadores culpados diante de um Deus Santo, IV – incentivar o povo a orar sempre pedindo pela graça de Deus e, a verdade central do salmo, V – as promessas de Deus é a habitação segura diante dessa vida passageira e sofrida.

Esboço


1.       Deus é Eterno (v. 1-2)
2.       O homem é sujeito à maldição e é temporal (v. 3-11)
a.       A vida temporal do homem (v. 3-6)
b.      Morremos por causa da ira de Deus (v. 7-11)
3.       Apelo pela misericórdia de Deus
a.       Sabedoria (v. 12)
b.      Compaixão (v. 13)
c.       Alegria (v. 14 – 15)
                                                               i.      Para louvar a Deus
                                                             ii.      Por que nossa vida é curta demais para sofrermos sempre
d.      Ver Deus agir (v. 16)
e.      Pela graça, fazer com que nosso trabalho se consolide (v. 17).

Cristo no salmo 90


A auto-revelação de Deus no monte Sinai foi tenebrosa. Com som de trombetas, relâmpagos, trovões, fumaça, a “shequinah”, que eram densas trevas que Deus se manifestava no Antigo Testamento (1Re 8:12). Deus se revelou em trevas e não em luz. A impressão é que, de propósito, Ele aparece de forma a expelir o povo da sua presença, mas se mostra a Moisés de forma mais pessoal e íntima.
O Senhor disse a Moisés (...) estabeleça limites em torno do monte e diga ao povo: Tenham o cuidado de não subir ao monte e de não tocar na sua base. Quem tocar no monte certamente será morto; (Ex 19:12)
Moisés cumpre um tipo de Cristo que intercede por um povo desobediente. Revela o Deus transcendente que não se relaciona com pecadores, mais que oferece a oferta santa para a remissão dos pecados, o Seu Unigênito Filho na cruz. Moisés mostra tanto a santidade de Deus, como Sua graça. Revela Seu propósito para o ser-humano, ser separado do mal assim como Deus é.
 O único que é imortal e habita em luz (TREVAS) inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver. A ele sejam honra e poder para sempre. Amém. (1 Tim 6:16)
Deus está numa santidade muito distante de nós, e não podemos entender o que ele fala.  A sua voz nos soa como um som de grande trombeta (Ex 20:18). Quem sai de dentro dessas trevas/luz inacessível é Jesus Cristo. E nos fala com voz humana (Bíblia) qual o mistério da sua vontade “(...) um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus. (1Tim 2:5)”
A mesma coisa que Moises fez quando o povo temeu diante do Sinai. O povo ficou de longe em pé, Moisés, porém, se chegou à nuvem escura onde estava Deus (Ex 20:18-21).
Um Deus que se manifesta em trevas e depois chama pecadores para se relacionar pode parecer estranho à primeira vista, mas quando a revelação de Deus vai ficando mais clara ao longo da historia bíblica se percebe que Ele queria com esse espetáculo no Sinai era realmente inibir o povo com sua rigorosa lei que exige a perfeição humana. Em contraste com a revelação perfeita e final em Jesus Cristo, que chama pecadores ao arrependimento e a um relacionamento íntimo e pessoal com Deus, através da Sua mediação. Sinai e Sião são dois montes que Deus se mostrou, uma inibindo o povo com sua santidade, outra santificando o povo através do sangue do cordeiro.
Vocês não chegaram ao monte que se podia tocar, e que estava chamas, nem às trevas, à escuridão e à tempestade, ao soar da trombeta e ao som de palavras tais, que os ouvintes rogaram que nada mais lhes fosse dito; pois não podiam suportar o que lhes estava sendo ordenado: "Até um animal, se tocar no monte, deve ser apedrejado". O espetáculo era tão terrível que até Moisés disse: "Estou apavorado e trêmulo!” Mas vocês chegaram ao monte Sião, à Jerusalém celestial, à cidade do Deus vivo. Chegaram aos milhares de milhares de anjos em alegre reunião, à igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus. Vocês chegaram a Deus, juiz de todos os homens, aos espíritos dos justos aperfeiçoados, a Jesus, mediador de uma nova aliança, e ao sangue aspergido, que fala melhor do que o sangue de Abel. (Heb 12:18-24)



1.    Deus refúgio nosso (v. 1,2)


A oração começa com o vocativoSenhor, a quem Moisés se dirige o salmo inteiro. Seguido de “Tu és o nosso refúgio”, essa frase expõe o proposito do salmo, mostrar que com a fragilidade temporal, pecaminosa e depressiva do homem, o único lugar para se sentir acolhido é no próprio Deus. Confiar nas promessas de Deus é morar Nele.
Nós não fomos criados para ser peregrino. A busca do homem é pela estabilidade financeira, emocional, psicológica etc. A promessa de Deus ao povo é de um lugar onde seriam estáveis, onde estariam em segurança nacional, onde eles seriam o povo de Deus. Nessa perspectiva Israel ainda aguardava o descanso prometido. A vida de peregrinação parece uma obra sem fim, de montar e desmontar acampamento, movendo as suas famílias de um lado para o outro, até chegar a tão esperada moradia eterna, teriam que andar pelo deserto até chegar lá.
Não era para ser uma caminhada longa, mas devido à incredulidade do povo, Deus condenou toda aquela geração a morrer no pó do deserto de Seir (Nm 13-14).
Nós buscamos um porto seguro para nos firmar. A “(...) ancora das nossas almas (Heb 6:19)” está na palavra de Deus, nas “(...)maravilhosas promessas de Deus (2 Pe 1:4)”. Viver feliz neste mundo corrompido só é possível se crermos e esperarmos nas Suas promessas. Habitar em Deus é descansar seguro e confortável na esperança proposta por Ele.
“Geração em geração”, é o tempo em que Deus abriga o seu povo. Neste salmo o contraste de Deus com o homem é o tempo. Todos os seres humanos morrem e uma nova geração nasce, e essas novas pessoas também precisam conhecer a Deus, de se relacionar. Deus se revela, se deixa conhecer, e isso é maravilhoso! Cada pessoa que existiu, de todos os tempos, teve que um dia se decidir andar ou não com o Eterno, que já estava lá quando nós nascemos, “(...) antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo Tu és Deus (v. 2)”.
Em números 35:6-34 Deus regulamenta uma lei sobre as cidades refúgio dos levitas. Que era para acolher possíveis homicidas culposos, ou seja, sem intenção de matar. E agora que o povo de Israel estava condenado a morrer no deserto árido. A conclusão de Moisés no salmo 90 é que a fuga do povo culpado está no próprio Deus. Buscar o perdão em Deus sempre foi o Seu desejo e oferta, desde Adão até qualquer pecador hoje. A verdade é que diante da maldição da morte, que inclusive foi o próprio Deus quem sentenciou, não temos outra esperança de salvação e redenção a não ser no próprio Deus.

2.    Eterno (v. 2)


Entender o tempo por completo é tarefa impossível para a mente humana. Por mais que tentamos ao menos calcular ou medir este fenômeno do tempo nunca vamos conseguimos entender o conceito pleno de eternidade, passado, presente e futuro. Mas uma coisa é certa para Moisés: Deus é eterno. Olhando para traz na linha do tempo, perdemos de vista a contagem do nascimento dos montes, da origem das fontes e da terra, Deus, porém, continua eternidade a fora. E se olharmos para o infinito futuro, também Deus está além dele.
Qualquer atributo que se calcule entre a criatura e o Criador, veremos números reais contra uma variável imensurável. Se fosse a inteligência de Deus comparada com a do homem, por mais cientista que seja a mente humana ela ainda é exata. Agora, quem conheceu a mente do SENHOR? (1Co 2) Ou quem pode nos contar o que se passa nas profundezas do ser de Deus? Do que ele gosta, o que O motiva a fazer o que Ele faz ou o que realmente sente quando pecamos? Graças a Deus por Jesus Cristo nosso SENHOR, que “(...) derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento (...) e nos revelou o mistério da sua vontade” (Ef 1:8-9). Toda a revelação do ser e obra de Deus provém de Jesus Cristo. Ele vem de dentro da luz inacessível. Porque é a imagem do Deus invisível (Cl 1:15).

3.    Homem sujeito a morte (v. 3-11)


Em contraste com a eternidade de Deus está a fragilidade do homem. Moisés usa quatro ilustrações para mostrar o quanto somos frágeis. Cada exemplo com sua característica, mas todos com um ponto em comum, a morte.

1.       Como as horas da noite – breve; a vida humana em relação ao mundo é muito pequena.
2.       Como uma correnteza – forte; Deus aniquila com a vida humana.
3.       Como um sono – imperceptível; quando se vê já acabou.
4.       Como a erva do campo – rápido; as fases da vida inteira se passam rapidamente.

A morte é um juízo de Deus quando o homem pecou no Éden “Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: ‘Retornem ao pó, seres humanos’! (v. 3)”.
A razão de Deus se mostrar tão irado é exposta nos versos 7 a 11, os nossos pecados. Nós não temos a real noção do quanto Deus odeia a iniquidade. Algumas vezes para comunicar esse sentimento Deus exemplificou na vida dos seus profetas. Oseias se casando com uma prostituta. Deus matou a mulher de Ezequiel. Mas nada se compara com o sacrifício do seu próprio filho Jesus. Deus mostra o seu completo desprezo pelo pecado quando propõe uma oferta tão escandalosa. Ele é o Todo Poderoso, se quisesse perdoar os pecados apenas com uma palavra de ordem, Ele certamente o faria. Mas o proposito da cruz é mais profundo. Mostrar quão grande a ira de Deus contra pecadores (v. 11). Revelar quão grande é o amor de Deus pela sua criatura rebelde que mesmo merecendo a punição do pecado, Ele ainda propõe uma alternativa de remissão.
Com os nossos pecados diante da face de Deus, a Sua ira se acende como uma fornalha ardente e nós vamos derretendo no calor do deserto consumidor sem Deus. E o que nos resta diante desta manifestação da ira de Deus, a sentença de morte, é simplesmente esperar morrer “(...) são anos difíceis e cheios de sofrimento (v. 10)”.
O tanto que temos que temer a Deus é o mesmo tamanho da sua ira. Se não conhecermos a ira de Deus não o temeremos, e se não temermos, perdemos de vista quem Deus é e quem somos nós (v. 11).
Como viver diante dessa triste sentença? Como nos relacionar com um Deus tão justo e santo? Qual o pedido de Moisés se fosse orar a Deus diante desse quadro: Deus é eterno, santo e justo e o ser-humano é temporal, pecador e culpado?

4.    Os pedidos que Moisés faria (v. 12-17)


1.      Sabedoria (v. 12)


Lembrar sempre que somos mortais nos faz mais humildes e sábios. Quanto mais entender que estamos morrendo e não vivendo, mais vemos que temos que viver cada dia como se fosse o último, isso não nos faz “extravasar geral”, mas ser mais responsáveis com nossas atitudes, porque hoje ainda podemos nos encontrar com o nosso Senhor!

2.      Compaixão (v. 13)


Não existe outro pedido mais importante do que a da misericórdia de Deus. Se nos fossemos confiar na justiça de Deus, receberíamos a justa condenação. Misericórdia é um atributo que sobressaiu sobre a justiça. Graças a Deus por enviar Seu Filho Unigênito para saciar a nossa sede de vida! Ele é a manifestação suprema da misericórdia de Deus. Esse pedido de Moisés se cumpre quando Deus nos dá o pão da vida eterna (v. 14 – 15).

3.      Alegria (v. 14)


O que tem em comum entre a alegria e a tristeza é que esses dois sentimentos são causados por ter tido um encontro pessoal com Deus. O Espirito de Deus nos mostra o quanto somos culpáveis diante do Santo Deus, e nos ficamos tristes por isso. Muito triste ao ponto de realmente gritar e se afastar da presença gloriosa de Deus. Mas logo em seguida quando somos justificados pelo sangue de Cristo, e nos achegamos a Deus, temos uma alegria indizível no Senhor. Essa montanha russa de tristeza a alegria produzido por Deus, é legitima e temos que implorar a Ele por isso.

a.      Para louvar a Deus


O proposito da alegria é para glorificar os feitos do nosso Deus. Não uma alegria vã, produzida por qualquer entorpecente. Mas o real entendimento de que Deus é Santo e misericordioso, produz a verdadeira alegria independente das circunstancias temporais.

4.      Ver Deus agir (v. 16)


Moisés pede para que conheçamos a historia de Deus. Quem Ele é e o que Ele fez. Tudo isso esta revelado nas Escrituras. Não tem como produzir verdadeiro louvor, gratidão e adoração se não conhecermos o verdadeiro amor de Deus.

5.      Pela graça, fazer com que nosso trabalho se consolide (v. 17).


Estabilidade é o que Moises começa dizendo: Deus é o nosso refugio, e termina pedindo para que chegue essa estabilidade que buscamos. As preciosas promessas de Deus devem se cumprir logo em nossas vidas. A esperança deve nos motivar como lenha na fogueira. As nossas obras que enquanto fazemos nessa vida temos certeza que nada vai durar, porque tudo é vaidade. Mas Deus tem feito quantas coisas através de homens e mulheres que se dispõem a ser usados por Ele. O trabalho cristão deve ser feito com diligencia para que tudo quanto fizermos seja deixado para a eternidade. Tudo isso confiando na graça e misericórdia de Deus.



Oração de Moisés, o homem de Deus.


1.       Deus Eterno


 1 Senhor, tu és o nosso refúgio, sempre, de geração em geração.
 2 Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus.

2.       Homem passageiro


a.       A vida temporal do homem

3 Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: "Retornem ao pó, seres humanos! "
 4 De fato, mil anos para ti 1 - são como o dia de ontem que passou, como as horas da noite.
 5 2 - Como uma correnteza, tu arrastas os homens; 3 - são breves como o sono; 4 - são como a relva que brota ao amanhecer;
 6 germina e brota pela manhã, mas, à tarde, murcha e seca.

b.      Morremos por causa da ira de Deus

 7 Somos consumidos pela tua ira e aterrorizados pelo teu furor.
 8 Conheces as nossas iniquidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença.
 9 Todos os nossos dias passam debaixo do teu furor; vão-se como um murmúrio.
 10 Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos!
 11 Quem conhece o poder da tua ira? Pois o teu furor é tão grande como o temor que te é devido.

3.       Pedido pela graça de Deus


 12 Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.
 13 Volta-te, Senhor! Até quando será assim? Tem compaixão dos teus servos!
 14 Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes.
 15 Dá-nos alegria pelo tempo que nos afligiste, pelos anos em que tanto sofremos.
 16 Sejam manifestos os teus feitos aos teus servos, e aos filhos deles o teu esplendor!
 17 Esteja sobre nós a bondade do nosso Deus Soberano. Consolida, para nós, a obra de nossas mãos; consolida a obra de nossas mãos!


CALEU FERNANDES

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

CACHORRO CRENTE!


“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. 1 João 2:15”

Existe no campo do pensamento Grego, uma escola filosófica que é o pensamento “Cínico”. A palavra cinismo vem do grego kynós que significa “cachorro”. No livro o mundo de Sofia, a origem do Cinismo é definida numa passagem da vida de Sócrates: “estando este a passar pelo mercado de Atenas, teria exarado o comentário: Vejam de quantas coisas precisam os atenienses para viver”. Sócrates estava a criticar a vida pomposa dos cidadãos de Atenas. Porém o cinismo teve seu maior expoente em Diógenes (Sinope404 ou 412 a.C.), que entre outras presepadas morava em um barril. O cinismo segundo Diógenes, ensinava uma vida de felicidade e simplicidade, que deveria ter um certo desapego pelos bens materiais e questionar sempre as conveções. Diógenes provocando o convencional, defecava no meio da rua como um cão, tentando em seu escândalo desestruturar os paradigmas além de se masturbar na Ágora. Certa vez, Diógenes andava com uma lanterna durante o dia no areópago procurando um justo em Atenas. O grande imperador Alexandre o Grande estava a passar e esbarrou com Diógenes em seu caminho. Alexandre fora discípulo de Aristóteles e conhecia e admirava a filosofia de Diógenes. Alexandre o questiona dizendo: “O que quiserdes sobre a face da terra eu te darei. O que desejas?” E Diógenes responde: "Desejo apenas que te afastes do meu Sol". Essa resposta ilustra bem o pensamento cínico: Diógenes não desejava nada a mais do que tinha e estava feliz assim (apenas, no momento, gostaria que seu sol fosse desbloqueado). Resumidamente o cinismo prega uma aversão ao mundo. Sócrates quebrava convenções, mas Diógenes ARREBENTAVA com as convenções mundanas. Neste sentido, e é o que nos interessa, os cínicos são aqueles que vão na contramão do mundo.

CHAVES O FILÓSOFO CINICO

Falei que Diógenes morava em um barril. E é evidente a relação com um dos seriados mais famosos do Brasil a décadas: “O Chaves”.

No Chaves existem dois animais de estimação: um era o da D. Clotilde vulgarmente conhecida como “bruxa do 71” e o chaves que era o animal de estimação de todos. Se fossemos resumir uma pessoa cínica, diríamos de cínico o sujeito que vive como um cão solto por ai, portanto, Chaves era um “cão”. Faltando somente o “solto por ai”. Chaves era o único verdadeiramente livre, o único que podia dizer o que quisesse e como quisesse, ser ele mesmo, ter identidade, todos os outros estavam presos à convenções (seu madruga preso ao aluguel). Neste ponto o Chaves é admirável...

Outro ponto que podemos comentar, segundo o blog “Chaves e a Filosofia”, é que “A vida do Cínico para Diógenes se baseava sobre o exercício e sobre a fadiga, considerados como instrumentos necessários para viver feliz, para saber dominar todos os prazeres e para alcançar a plena liberdade. Ou seja, a doutrina cínica era “antiJaimista” promovendo a fadiga e não evitando-a como faz (tenta) o nobre carteiro”.

O leitor atento dirá que citamos errado a quantidade de animais na vila do Chaves pois não falamos do Madruguinha, Peludinho, Soriano, etc... Além de que o Chaves não mora num barril, e sim na casa número 8. Segue uma transcrição de uma conversa entre o Chaves e o Kiko:

“Chaves: Eu não moro no barril, eu só entro no barril porquê... bem, você sabe... pra...

Kiko: Só por esporte.

Chaves: Isso, isso, isso..."

(Diálogo entre Chaves e Kiko)

Mas o que não foi dito é o nome da suposta mãe do Chaves, o que será revelado ao leitor perseverante que ler até o final do artigo.

JESUS, CINICO?

Diógenes, Chesperito e a pergunta que não cala é: Jesus também era cínico? Podemos certamente dizer que Jesus como Deus não somente conhecia a filosofia grega como também conheceu o princípio do mundo (Jo 1.1) e antes mesmo do princípio. Mas Jesus como um homem certamente conheceu a filosofia de Diógenes e foi em grande medida um adepto dela. Veja algumas citações cínicas de Jesus:

“E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” Mateus 5:20 e Lucas 9:58.

 “E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira.” Lucas 3:11;

“E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão somente um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto; Mas que calçassem alparcas, e que não vestissem duas túnicas.” Marcos 6:8, 9

Além disso denunciou a hipocrisia da religiosidade dos seus dias (Mt. 15:7s; 22:18; 23:29). Ensinou sobre o desapego aos bens materiais (Lc. 12:33), foi indiferente ao comportamento social convencionado em enumeras ocasiões (Mt. 12:1-12; Mc. 2:16, 17; Jo. 5:1s).

É claro que Jesus não se comportava como Diógenes, e nem era um adepto do movimento cínico à risca, mas em certo grau, pelo menos de ir na contra mão do mundo - que é o que nos importa - Jesus foi o mais cínico de todos os tempos!

MUNDANISMO NO CASAMENTO

Apesar do que anunciamos com o texto bíblico, o conceito de “mundo” invadiu o meio cristão. Enquanto os cínicos de maneira bem desorganizada travaram uma batalha épica contra o “mundo”, o cristianismo que tem sua bandeira bem declarada e milita de maneira bem mais organizada, não conseguiu ou não tem conseguido se afastar do que mais repudia: “o mundo”.

Comecemos pelo casamento Cristão que foi abafado pelo “mundanismo”. Me desespero ao pensar no que um jovem casal cristão é capaz de proclamar sobre suas convicções. Para começar creio que ninguém se casa ou se casou por amor (se é que podemos dizer amor sem antes dizer do que se trata, mas pensemos no conceito de amor ocidental predominante). Na verdade nos enganamos com este “amor de novela das oito”. Ninguém ama seu companheiro, mas, apenas uma figura suposta de seu amado. Este “amor novelesco” é um amor que não sai da primeira pessoa. É um sentimento ancorado no “eu” e que não sai dele e nem está disposto a fazer tal absurdo. Deixe eu te provar que você nunca amou ninguém a não ser você mesmo. Uma mulher se casa com uma homem porque o ama, descobre após seis meses que na verdade ele é um homem bem mentiroso, concorde que ela deveria o amar mais e mais porque agora o seu sentimento por seu amado, que era fruto de uma impressão enganosa, agora está liberto do engano e portanto pode amar seu companheiro com muito mais vigor ancorado na verdade de que seu amado é um mentiroso. Daí você que aprendeu amar com a novela das oito, e descobre que seu cônjuge não é aquilo que estava na sua cabeça, o mata para salvar o amante que estará sempre vivo, como sempre foi na sua cabeça. Neste sentido o casamento é uma bomba relógio que foi armada em um duplo “sim” no altar e que não tem outro destino se não explodir e causar catástrofes familiares que antes da novela costumam passar no Jornal nacional.

#Fica a dica: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. 1 João 2:15”

MUNDANISMO ÉTICO

No campo Ético é similar. Podemos chamar este campo de a “inteligência a serviço do aperfeiçoamento da convivência”. Se tratamos a pouco de um campo restrito, tratamos neste o que será o mais abrangente possível. Se estabeleceu a tempos atrás os trágicos resultados de fumantes que usavam cigarros em público. Se fixou placas, filmes, cartazes e propagandas. Foi promulgado um conceito Ético portanto. Hoje em cinemas, teatros, lugares fechados, não se necessita mais de placas de “não fume”, pois aquele que desobedece este “tratado social”, seria um “imoral”. É imoral aquele que desobedece um conceito Ético pré-estabelecido. Existe o “Cristão Roberto Carlos” que a vida dele é dizer “só vou gostar de quem gosta de mim”. É o mesmo que diz: “vou fazer bem apenas para quem fizer bem para mim”, enquanto que o que o conceito máximo do Cristão é a graça. Se Deus fosse fazer por nós apenas o que fizemos para Ele o que sobraria de nós? Já não seria o Chaves mas o Chapolin a dizer: “Hó, e agora quem poderá me ajudar?”

Na verdade, infelizmente o crente não precisa nem se preocupar em ser imoral pois ainda não chegou nem a conhecer os princípios do cristianismo. Ele para ser imoral precisa evoluir bastante, os cristão contemporâneos ainda são antiéticos, sem fundamento, rasos, sem alicerce, fundamentados na areia do deserto, infelizmente somos em nossa grande e esmagadora maioria “Cristão Mundanos”.

#Fica a dica: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. 1 João 2:15”

MUNDANISMO LABORAL

Se o casamento e nosso comportamento é mundano, o trabalho seria o que faltava par completar o ciclo de distúrbio espiritual. Desde criança somos ensinados o que se precisa para criar alguém que se encaixe no mundo. Um ser sociável e adaptável. Começo a vida e me vejo na pré-escola. E vem a “tia” me ensinando que preciso aprender a ler e a escrever para me preparar para o ensino fundamental. Quando chego ao ensino fundamental agora ficou legal, não chamo mais ninguém de “tia”, porque tenho várias delas, uma para cada matéria. Mudou meu uniforme, minha concepção de mundo e penso: “agora vou ser feliz!”. Mas vem o diretor e te diz: “esta é sua base, a próxima fase tem enem, você precisa se preparar para o ensino médio!” Chega o ensino médio e já se vai muitos anos em labuta. No primeiro ano, talvez no primeiro dia de aula você escuta: “aqui não tem conversa! É se preparar e vence quem entra na universidade!” Infelizmente ainda não chegou a sua vez. Ainda não foi desta vez que você pode finalmente desfrutar de uma conquista. Com muito esforço e um pouco de cola você finalmente entra na faculdade. Seu olhar brilha. Finalmente chegou a tão sonhada “era dourada”. Mas com pouco tempo nos corredores em conversas paralelas você percebe que a conversa é a mesma. Preciso arrumar um estágio. E não precisa dizer que quando você consegue o bendito estágio acontece o que você por algum motivo já desconfiava: “preciso ser efetivado”. Tudo bem. Você é efetivado e chega o chefe do departamento e te apresenta a empresa e te diz: “somos uma empresa conceituada e você deu muita sorte na vida. Temos aqui 15 níveis de graduação e você começa amanhã no nível 15”. Logo ele abre um PowerPoint e te manda ir buscar uma “cenoura”. Você passa a semana torcendo para ela acabar e quando chega o fim de semana você não sabe o que fazer porque tem pouco dinheiro e o ônibus é caro. Chega o começo da semana e você percebe que você deseja mesmo é o que o mês acabe. Acaba o mês e você entrega a cenoura para o seu chefe. Você vai passar 35 anos se for homem e 30 se mulher pegando cenouras para o seu chefe e torcendo para a sua vida acabar logo. Lá pelas tantas ainda não chegou a hora de aproveitar a vida. A hora de ser feliz. De Aproveitar o que se tem. Você aprendeu com o mundo um conceito diferente. Se algum dia você pensar em ser feliz com o que tem, se contentar com sua única túnica vai chegar um representante do demônio e te dizer que você precisa “sair da zona do conforto” e servir melhor ao deus “mamom”.

#Fica a dica: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. 1 João 2:15”

MEU DEUS! SOU MUNDANO! O QUE FAÇO?

O primeiro passo é abandonar os métodos “mundanos” para se livrar dele mesmo. Desconfie. Jesus como cínico, se preparou para libertar pessoas do mundo. E não utilizou métodos mundanos para tal. Em um sermão, Davi C. Gomes prescreveu como seria se Jesus pedisse auxílio ao “mundo” para realizar sua empreitada:

“CONSULTORIA DE PESSOAS JORDÃO LTDA

Para Jesus, filho de José, End. Carpintaria “O carpinteiro”, Nazaré, 25-12-030

De Consultoria Jordão.

Prezado senhor,

Grato pela oportunidade de servi-lo nas análises dos currículos dos doze homens pré-selecionados para funções gerenciais em sua nova empreitada, Submetemos nesta, nossas conclusões.

Todos os candidatos foram submetidos a extensa bateria de testes, entrevistas, exames psicológicos e psicomotores. Nossos computadores computaram os resultados iniciais e nossos expertos analisaram as aptidões vocacionais de cada um deles. Sugerimos que o senhor analise cuidadosamente cada relatório, mas como parte do nosso pacote, oferecemos uma análise geral sem custos adicionais, assim como as nossas sugestões:

Entendemos que quase todos os candidatos não possuem instrução, educação e preparo para a função a ser exercida. Não tem espirito de time e não trabalharão como grupo. Recomendamos fortemente que o senhor continue entrevistando outros candidatos com mais experiência e preparo.

Por exemplo:

·         Simão Pedro é emocionalmente instável, além de ter sido reprovado no exame psicomotor.
·         André não possui nenhum espirito de liderança.
·         Dos dois irmãos Tiago e João, filho de Zebedeu, além de histórico de problemas familiar, colocam seus interesses pessoais acima da função.
·         Tomé demonstra uma atitude Cética que afetará o clima da empresa.
·         Tiago filho de Alfeu e Tadeu, definitivamente possuem tendências radicais, tendo ambos também revelado alto grau na escala maníaca depressiva.
·         Quanto a Mateus sentimos a obrigação de que seu nome consta na relação do SERASA.
·         Um de seus candidatos entretanto revelou-se promissor. É um homem de habilidade e tino comercial. Bem relacionado e com uma mente rápida para uma ação estratégica. É capaz de negociar em situações tensas, ambicioso, talentoso, motivado e bem relacionado com pessoas importantes. Recomendamo-nos portanto que Judas Escariotes seja contratado como controlador do empreendimento e talvez o seu braço direito.

Os resultados anexos são autoexplicativos, desejamos sucesso em seu novo empreendimento.

Sinceramente,

CONSULTORIA JORDÃO GERENCIA DE PESSOAS

(Davi Charles Gomes, Ph.D. - http://www.mackenzie.com.br/davi_charles.html)”

Apesar da brincadeira fica claro a falta de ligação de propósitos entre os dois lados. Termino esta mensagem encaminhando uma proposta para fugirmos da aparência do mal.

1.       O QUE É O MUNDO?

O mesmo João que escreve esta carta à congregação em Éfeso, é o mesmo que dias mais tarde escreve o livro de Apocalipse e no cap. 17 João personifica o “mundo”:

“E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; Com a qual fornicaram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua fornicação. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação; E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra. E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração. Apocalipse 17:1-6”

Esta prostituta astuta, experiente, dominadora vem seduzindo os despreparados e desavisados a muitos anos. Não se esquive da responsabilidade, olhe atento para sua vida e verá que infelizmente você também é vítima da grande babilônia. É incrível o quanto é claro o pavor que o Cristão deveria ter pelo mundo e ao invés disto estamos andando na corda bamba e arriscando uma queda mortífera a qualquer instante.

#Fica a dica: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. 1 João 2:15”

2.       ESCRAVO DO PECADO?

Já sei quem é a babilônia, ela é uma prostituta sagaz, mas o que fazer? Todos nós antes de ser resgatados por Cristo, erámos escravos do pecado (Rm 6.20). Porém depois da libertação mediante a expiação de Jesus no madeiro, estamos livres das algemas. Antes o pecado ordenava e tínhamos de o obedecer pois éramos seus servos e o ele nosso senhor. Porém com grande misericórdia e abundante graça, paramos de servir o pecado e em novidade de vida servimos ao nosso único mestre e senhor Jesus o Cristo de Deus! Portanto temos agora todas as ferramentas para não se enredar com a prostituta.

#Fica a dica: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. 1 João 2:15”

3.       O HOMEM É LIVRE!

Alguns tontos escrevem e cantam que desejam ser livre como os pássaros. Pássaros não são livres. Pássaros não podem por exemplo decidir não voar. Ninguém vai ver por ai um passarinho em um belo dia de sol que decide ir andando para o ninho. Neste sentido, um gato por mais fome que esteja nunca vai comer alpiste para matar sua fome. Um passarinho por mais fome que tenha, nunca vai comer filé para se alimentar. Como disse Rousseau, o homem é a única criatura transcendente. Deus é transcendente ao nosso entendimento. Mas o ser humano é transcendente em relação a sua natureza. Nisso somos semelhantes a Deus. Nisso somos livres. Karl Max disse no sec. 18 que o pior dos tecelões era melhor de que uma aranha para tear. Parece absurdo esta afirmação, porém, por mais estupenda que seja sua teia, ela só sabe fazer de um jeito, e o problema da aranha é que ela já nasceu sabendo. Desta maneira somos livres inclusive para tear de maneira indigna ou estupenda. Passarinho não é livre. Não existe mau cachorro. Em um ataque de rottweiler você diz que o cachorro é mal. Mentira, ele seguiu sua natureza. Não podia não o atacar. Portanto somos a única criatura capaz de deliberar (apesar de inclinação pecaminosa) e decidir nossa vida. Podemos portanto recusar os capricho da meretriz.

É fácil assim se livrar do mundo? Não. Tente pegar uma arvore mesmo que pequena e tente arrancar ela do chão. Você vai se arranhar todo e o máximo que vai conseguir é arrancar as suas folhas. Mas como ela tem raiz em pouco tempo as folhas voltarão. O Cristãos estão tão envolvidos com o mundo que não é tarefa fácil os retirar dali pois suas raízes estão profundas. O máximo que conseguimos é de tanto espernear retirar apenas suas folhas. Mas em pouco tempo seus velhos hábitos estão de volta pois sua raiz continua firme. Oremos a nosso salvador para que ele possa, assim como fez com João, nos retirar permanente do mundo e pela raiz.

Assim como Jesus, precisamos ser mais cínicos para o mundo. Sermos uma espécie de ”Cachorro Crente!”

#Fica a dica: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. 1 João 2:15”

Obs: Chaves não vive no barril ele mora com الملك منصبه فخري و رن و واحدئيس الوزراء هو الحاكم الفعل , aliás esse é um segredo que perdura por todo seriado, e eu revelando aqui em primeira mão, não precisam agradecer.


PEDRO FERNANDES